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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Abre Aspas

(...) e no Blog da Moça do Sonho um link para o Blog Acqua , dizia:
"No dia 27 de Outubro (uma segunda-feira - é claro) escolha uma poesia para postar e fale um pouco do poeta que a escreveu numa espécie de breve biografia. Vamos homenagear a poesia e seus autores e deixar a blogosfera muito mais poética"
Sou apaixonada pelas Obras de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, não seria, portanto, fácil escolher um poema de um autor. Então resolvi fazer diferente...
Escolhi um poema de Augusto dos Anjos! Dos poemas de sua única obra, EU (1912), só gosto de um: Versos Íntimos.
Não quis escolher o poeta dos meus sonhos, quis postar esse poema, pois me diz muito. Não é doce nem fala de flores, no entanto, é muito verossímil...
Espero que gostem, ou não!
Sobre o autor: Augusto dos Anjos é um estranho no ninho! Só encontra-se no Pré-Modernismo por ser Sincrético (parnasianismo por alguns aspectos e simbolista por outros). Nasceu na Paraíba e viveu no Rio de Janeiro. Seus poemas chocam pela agressividade do vocabulário, antilirísmo...
"Cético em relação às possibilidades do amor ("Não sou capaz de amar mulher alguma, / Nem há mulher talvez capaz de amar-me")"
Verso Íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

P*S Nããão, não sou EMO nem estou tristinhazinha, OK? Só acho o poema interessantíssimo...